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O primeiro contato com a Capoeira

Conheci a Capoeira aos 8 anos e me apaixonei, assistia a várias rodas de Capoeira e todos os dias jogava no gramado que havia perto de casa.

Logo, comecei a levar a Capoeira mais a sério, comecei a enxergar ela como uma profissão.

Foi aí então que comecei a treinar com o Mestre Burguês em Curitiba PR onde nasci, tive muitas dificuldades para treinar, pois minha família era contra a Capoeira, me proibiram de praticar a Capoeira, mas mesmo assim eu ia escondido, porém quando eu chegava em casa não escapava da surra. Mais um dia eu não aguentei mais e fugi de casa, eu iria para São Paulo, mas o Mestre Burguês me aconselhou a não ir e me deixou ficar no apartamento que era reservado só para os capoeiristas que vinham de fora e me arrumou um emprego na Academia, minha mãe no dia seguinte foi me buscar, mas eu mostrei pra ela que eu estava trabalhando e fazendo o que eu mais gostava jogando Capoeira, depois conheci o Marlon um capoeirista deficiente, que morava no Rio de Janeiro ele falou muito da Capoeira carioca, que lá havia bons capoeiristas e que lá era a capital da Capoeira.

A chegada ao Rio de Janeiro

Ainda garoto resolvi ir para o Rio de Janeiro, com a cara e a coragem, uma mochila nas costas e um punhado de esperança, pois ninguém acreditava em mim, achavam que era coisa de moleque e que voltaria, pois provei à todos aqueles que falaram que eu voltaria, que idade não importa o que valia era meu grande sonho.

Chegando ao Rio sem conhecer ninguém, fui parar no Bairro do Humaitá onde conheci Pepeu e Cebolinha que era aluno de Mestre Camisa e percussionista do grupo Raça Negra, perguntaram para mim se eu iria continuar fazendo Capoeira? Respondi que sim, vim pra cá para treinar com Mestre Camisa, Pepeu me levou no Ciep do Humaitá, ele me apresentou o Mestre Camisa logo após comecei a treinar.

As dificuldades

Morei por algum tempo na casa de Pepeu, arrumei um emprego em uma padaria de balconista, mas fazia de tudo um pouco, não podendo mais morar na casa de Pepeu fui morar na padaria, onde passei muitas dificuldades a minha cama era saco de farinha de trigo e minha comida era as sobras dos salgadinhos no final da noite, mesmo assim não parei de treinar pois minha meta era ser um Mestre de Capoeira e ter ela como profissão.

Uma vez treinando no Ciep com o Mestre Camisa me empolguei e acabou passando das 22:00hs, fui correndo para a padaria chegando lá já tinha fechado e aí tive que dormi na rua, mas mesmo assim nunca desisti da minha meta.

Contei tudo ao Mestre Camisa o que eu estava passando e ele me disse que isso tudo era uma experiência, portanto as dificuldades não pararam por aí. Ele vendo a minha força de vontade e dedicação aos treinamentos, me incentivou a pedir as contas na padaria e que trabalhasse exclusivamente com a Capoeira, não pensei duas vezes, isso era o que eu mais sonhava.

A minha história é muito parecida com a do Camisa quando veio da Bahia para o Rio de Janeiro.

Primeiros trabalhos com a Capoeira

O Camisa me colocou para dar aulas nos projetos Recriança e projeto Capoeira que era feito com meninos de rua e que era apoiado pela prefeitura do Rio de Janeiro.

Depois que saí da padaria fui morar na rua São Clemente em Botafogo em uma vaga que são vários quartos com beliche. No projeto que eu estava trabalhando atrasaram o pagamento, o aluguel da vaga venceu e eu me vi ali sem ter para onde ir, conversei com o Mestrando Canguru que me deu a maior força, me colocou na casa de um aluno dele, onde fiquei algum tempo, como diz o narrador futebolístico Galvão Bueno “tudo tem que ser com sofrimento.”

Depois fui morar na casa do Bacurau no morro Santa Marta, onde vi muitas coisas que eu nunca tinha visto, como o Mestre Camisa dizia tudo serviria como experiência.

Novas experiências

Em seguida fui morar com o Mestre Cobra onde fiquei algum tempo e aprendi muitas coisas e muitas broncas levei, foi muito importante para minha formação.

Pela força da Instrutora Gigi comecei a ministrar aulas já com corda azul graduado na creche Nossa Senhora das Vitórias, onde comecei a dar aulas para crianças de 2 à 6 anos, com o meu talento e força de vontade, fui dar aula no Colégio Legrand em Botafogo para crianças e adolescentes, no Colégio São Vicente de Paula no Cosme Velho onde fiz um excelente trabalho, na academia Marques Dalle e na Academia Elizabeth Carvalho em Laranjeiras.

Com minha carisma conquistei muitas pessoas no Rio de Janeiro, realizei vários eventos no Rio que fez muito sucesso, como a 1º roda infantil que acontecia todo o 2º Sábado do mês no mercado São José em Laranjeiras.

A minha última morada no Rio foi na Casa do Capoeira onde fiz muitas amizades que até hoje sinto muitas saudades dos amigos Baiano, falecido Bicudo, Parazinho, Xororó, Araminho, Roni, Tucano Preto e muitos outros.

 

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A chegada em Florianópolis

Sabendo que minha mãe estava mal, quase no final da vida, resolvi expandir a Capoeira levando-a para Florianópolis onde ficaria mais próximo de minha mãe que morava em Curitiba, sendo o 1º a chegar em Florianópolis em 1996 representando o Grupo Abadá – Capoeira, eu mexi com a Capoeira Florianopolitana, aonde essa arte Capoeira passou a ser respeitada, divulgada e valorizada profissionalmente e também fui o pioneiro em fazer eventos em Shoppings que também engrandeceu a Capoeira em Floripa, levei o nome do grupo à todas as emissoras de televisão e jornais.

Fundação da Associação Desterro Capoeira

Em 1999 fundei a minha própria Associação Desterro Capoeira e hoje o nosso trabalho está sendo excelente em escolas, academias, associações, clubes, pré-escolas, comunidades carentes, trabalhei também com crianças especiais da APAE, da LBV (Legião da Boa Vontade), no Lar Recanto do Carinho com portadores ou filho de portadores do HIV, na ACIC ensinando Capoeira para deficientes visuais e tirando várias crianças carentes do caminho das Drogas e da marginalidade, mostrando que a Capoeira é um ótimo instrumento de educação e valorização da cultura brasileira.

Formatura de Mestre

Em 2001, fizemos o nosso primeiro Seminário Nacional de Capoeira, tivemos a presença honrosa do Grão Mestre Artur Emídio e Mestre Mendonça ambos do Rio de Janeiro, onde recebi a graduação de Mestre pela as mãos deles, tivemos a presença também do Mestre Pop de Florianópolis e  Mestre Monsueto de Sombrio, que vieram abrilhantar a minha formatura.       

Com certeza a Desterro Capoeira está contribuindo na evolução da Capoeira no Brasil.

Mestre Mancha
(Marcos Vinício Taques)

 

 

 
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